A venda do atacante Allan ao Manchester City, por 40 milhões de euros (cerca de R$ 240 milhões), fez o Palmeiras ultrapassar a marca de R$ 1,65 bilhão em transferências de jogadores formados na Academia de Futebol desde a chegada de Abel Ferreira, em outubro de 2020. Levantamento da Gazeta Esportiva aponta que o clube já embolsou 275,04 milhões de euros considerando apenas os valores fixos das negociações envolvendo Crias que atuaram no time profissional sob o comando do treinador português.
Segundo o levantamento, Abel Ferreira já utilizou 49 jogadores da base na equipe principal ao longo de sua passagem pelo clube. Boa parte deles deixou o Palmeiras rendendo cifras relevantes aos cofres alviverdes, consolidando a reputação da Academia como um dos principais motores financeiros da instituição nos últimos anos.
Estêvão lidera ranking de vendas
De acordo com a apuração, a negociação mais valiosa entre as Crias vendidas na era Abel é a de Estêvão, negociado com o Chelsea por 45 milhões de euros em valores fixos, além de outros 16,5 milhões de euros previstos em bônus por desempenho e metas contratuais.
Na sequência do ranking aparecem Allan (37,5 milhões de euros), Vitor Reis (37 milhões de euros) e Endrick (35 milhões de euros em valores fixos). A lista ainda inclui nomes como Luís Guilherme, Danilo, Artur, Kevin, Gabriel Veron, Giovani, Jhon Jhon, Patrick de Paula, Thalys, Wesley, Naves, Fabinho, Gabriel Silva, Vitinho e Kauan Santos, totalizando 19 negociações relevantes desde 2020.
No caso específico de Endrick, a Gazeta Esportiva destaca que o acordo com o Real Madrid, fechado em dezembro de 2022, pode chegar a 72 milhões de euros no total. Desse montante, 35 milhões de euros foram pagos como valor fixo, 25 milhões de euros estão condicionados a metas e bônus, e 12 milhões de euros correspondem a impostos, o que explica sua posição na quarta colocação do ranking ao considerar apenas os valores garantidos.
Palmeiras não fica com o valor integral
O levantamento também ressalta que o Palmeiras não recebe necessariamente o total arrecadado em cada negociação, já que em diversos casos o clube precisa dividir parte dos valores com empresários, familiares dos atletas ou outras equipes que detêm percentuais dos direitos econômicos dos jogadores.
Um exemplo citado é o de Estêvão, cuja venda ao Chelsea garantiu ao Palmeiras apenas 70% do valor, com os 30% restantes destinados ao próprio jogador e ao seu estafe. Já na transferência de Allan para o Manchester City, o Verdão detém 90% dos direitos econômicos, enquanto o Figueirense, clube que revelou o atacante nas categorias de base em 2018, também recebe uma parcela do montante.
A reportagem ainda aponta que o Palmeiras pode ser beneficiado pelo mecanismo de solidariedade da Fifa, que destina até 5% do valor de futuras transferências internacionais aos clubes formadores do jogador, além de manter percentuais de direitos econômicos em algumas negociações já concluídas.
Nem toda revelação gera receita direta
Segundo o levantamento, algumas Crias da Academia deixaram o Palmeiras sem gerar arrecadação imediata, tendo sido usadas como moeda de troca em outras negociações. O caso mais citado é o de Gabriel Menino, hoje no Santos, que foi envolvido no acordo que trouxe o meio-campista Paulinho ao Verdão.
A Gazeta Esportiva também relembra que o Palmeiras encerrou o primeiro semestre de 2026 com déficit de R$ 124 milhões, após projetar arrecadação de R$ 619 milhões e registrar receita de R$ 432,3 milhões no período, segundo o balanço financeiro do clube.



