O Ministério Público de São Paulo formalizou uma denúncia criminal contra Osmar Stabile, presidente do Corinthians, por suposta apropriação indébita ligada à contratação da empresa de segurança privada Bear Security. Segundo a Gazeta Esportiva, além da ação penal, a Promotoria pediu à Justiça o afastamento cautelar do dirigente de suas funções no clube alvinegro.
A denúncia foi protocolada na última sexta-feira pelo promotor Cássio Roberto Conserino. De acordo com o documento apresentado à Justiça, o Corinthians teria desembolsado cerca de R$ 721 mil, entre julho de 2025 e agosto deste ano, para custear os serviços da Bear Security — valor que, na avaliação do MP, teria beneficiado pessoalmente Stabile e possivelmente seus familiares.
O que pede o Ministério Público
Além da denúncia criminal, a Promotoria solicitou uma série de medidas cautelares contra o dirigente corintiano. Entre os pedidos estão a proibição de Stabile frequentar as dependências do clube e a suspensão do exercício de qualquer função associativa ou de representação institucional.
Caso a Justiça aceite o pedido, o presidente também ficará impedido de participar de reuniões, negociações e atos administrativos relacionados ao Corinthians. O MP ainda requer que Stabile não mantenha contato com testemunhas e outros dirigentes, não deixe o país sem autorização judicial e não realize viagens nacionais superiores a oito dias sem aval da Justiça.
A Promotoria pediu ainda o bloqueio de bens do presidente para garantir um eventual ressarcimento ao clube, cobrando aproximadamente R$ 721 mil por danos materiais e cerca de R$ 541 mil por danos morais, conforme apurou a reportagem da Gazeta Esportiva.
Segurança “VIP” e falta de autorização
Um dos pontos centrais da denúncia é o fato de o Corinthians já contar com outra empresa, a Unity Serviços Terceirizados, responsável pela segurança institucional do clube. Para o Ministério Público, a Bear Security teria sido contratada especificamente para atender à segurança pessoal de Stabile.
Em entrevista citada no processo, o próprio presidente reconheceu que o Corinthians arcava com os pagamentos e classificou o serviço como uma “segurança VIP ao presidente”, segundo trecho reproduzido pela Gazeta Esportiva. Stabile também afirmou que os responsáveis pela empresa eram pessoas de sua confiança.
O documento do MP ainda traz registros de profissionais da Bear acompanhando familiares do presidente em um compromisso particular, o que reforçaria, na visão da Promotoria, que os serviços pagos pelo clube extrapolavam as funções ligadas à presidência. Outro agravante apontado é que a Bear Security não teria autorização da Polícia Federal para atuar no setor de segurança privada, o que levou o MP a solicitar uma investigação específica sobre a empresa.
Defesa do Corinthians
Durante a apuração, o Corinthians defendeu a legalidade da contratação, alegando respaldo no Artigo 119 do Estatuto Social do clube, que prevê gastos com serviços internos e eventuais. A entidade também sustentou que a Bear Security havia passado pelo sistema interno de compliance.
O Ministério Público, no entanto, rejeitou essa interpretação. Para a Promotoria, o dispositivo estatutário citado pelo clube autoriza despesas relacionadas às atividades da própria instituição, mas não o pagamento de serviços de caráter particular para dirigentes. O MP cita ainda outro trecho do Estatuto que proíbe remuneração pelo exercício da presidência, reforçando o entendimento de que o caso configura uso indevido de recursos do Corinthians.



