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Disputa por ingressos do Morumbis reacende crise política no São Paulo

Troca da gestão de bilheteria para a Ticketmaster expõe atrito entre presidente Harry Massis e o Conselho Deliberativo do São Paulo.

Disputa por ingressos do Morumbis reacende crise política no São Paulo

Um contrato para a troca da administração de ingressos do Morumbis se transformou em novo capítulo de tensão política dentro do São Paulo. Segundo reportagem da Gazeta Esportiva, o acordo com a empresa Ticketmaster aprofundou o desgaste entre o presidente do clube, Harry Massis, e o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, a três meses da eleição que definirá o comando são-paulino.

De acordo com o veículo, a relação entre os dois dirigentes, historicamente rivais em grupos políticos distintos, já vinha desgastada desde o início da gestão de Massis, que assumiu o clube em janeiro deste ano após a renúncia de Julio Casares. A eleição presidencial do São Paulo está marcada para a primeira quinzena de dezembro.

Contrato prevê antecipação de R$ 140 milhões

Ainda segundo a Gazeta Esportiva, o novo contrato de bilheteria, que substituirá a atual gestora Total Acesso a partir do fim do ano, prevê uma antecipação de R$ 140 milhões ao clube ainda em 2026, caso seja aprovado pelo Conselho Deliberativo. A diretoria executiva trata esse valor como essencial para quitar débitos com o elenco, incluindo direitos de imagem em atraso há mais de dois meses para alguns jogadores.

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O acordo já havia sido aprovado pelo Conselho Administrativo do clube. No entanto, a reportagem apurou que Olten Ayres decidiu criar uma comissão especial, formada por quatro conselheiros, para analisar o documento antes de levá-lo à votação no Conselho Deliberativo.

E-mail de concorrente motivou comissão

De acordo com a Gazeta Esportiva, a criação da comissão foi motivada por um e-mail enviado por Cesar Sbrighi, gerente de país da empresa NewC no Brasil, ao presidente do Conselho. A NewC também disputava a gestão dos ingressos do Morumbis e questionou o processo que resultou na escolha da Ticketmaster.

Em resposta, o São Paulo divulgou nota classificando o episódio como uma “tentativa de prejudicar um processo estruturado” e afirmando que a proposta vencedora passou por todos os crivos exigidos. O clube também informou que a oferta da concorrente não teria sido apresentada de forma estruturada para avaliação.

Áudio vazado mostra pressa de Massis

A reportagem da Gazeta Esportiva teve acesso a um áudio, com veracidade confirmada, em que Harry Massis pede a apoiadores políticos que pressionem Olten Ayres a colocar o contrato em votação. Segundo o veículo, o presidente afirmou: “Agora eu preciso que vocês ajudem a fazer o presidente do CD colocar a pauta para ser votada. Porque, se segurar e não for votada, não vamos cumprir nada, pô! Não vai ter dinheiro para pagar nada, entende? Então, tem muita gente bocuda que fala o que não deve falar, e daí recai sobre a minha pessoa.”

A Gazeta Esportiva relata ainda que, em julho, dirigentes do São Paulo se reuniram com os jogadores e prometeram regularizar os pagamentos atrasados em até um mês, prazo que não foi cumprido. Por isso, a diretoria vê na antecipação prevista no contrato com a Ticketmaster uma via para aliviar o caixa do clube no curto prazo.

O atrito entre Massis e Olten Ayres não é recente: segundo a reportagem, em fevereiro deste ano a filha do presidente, Christina Massis, foi alvo de denúncia sobre suposta revenda irregular de ingressos para shows no Morumbis, caso analisado pelo Conselho Consultivo a pedido do próprio Olten. Pouco depois, foi Massis quem buscou o afastamento do presidente do Conselho Deliberativo, evidenciando a disputa política que segue em aberto no clube rival do Palmeiras.

Sobre o autor
Rafael Gomes

Responsável pelos números, tabelas e estatísticas do Verdão.