O Juventus, tradicional clube do bairro da Mooca, em São Paulo, anunciou a criação de uma equipe de futebol formada por atletas amputados ou com má formação congênita. Segundo informações da Gazeta Esportiva, a iniciativa foi firmada em parceria com a APAC (Associação Paulista de Amputados da Capital) e tem como objetivo dar mais visibilidade à modalidade dentro do futebol brasileiro.
Como surgiu a parceria
De acordo com a reportagem, a aproximação entre o clube paulistano e a associação partiu de Fabio D’Angelo, conhecido como Fumaça, diretor de Futebol Associado do Juventus. Após conhecer de perto o futebol de amputados, ele foi convidado pelos próprios atletas a incorporar oficialmente a categoria ao time da Mooca.
“Assim que conheci essa modalidade, achei uma causa nobre e fiquei muito interessado em trazer o time para o clube”, afirmou D’Angelo, segundo a Gazeta Esportiva.
Brasil é referência, mas enfrenta obstáculos
Apesar de o país ser reconhecido como uma das principais potências mundiais do futebol de amputados, a reportagem destaca que os atletas ainda encontram dificuldades relacionadas a patrocínio, infraestrutura para treinos e apoio institucional. Nesse cenário, a entrada de clubes centenários como o Juventus é vista como um passo importante para reduzir essas barreiras e dar mais exposição à prática esportiva.
A Gazeta Esportiva cita dados da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) que apontam mais de 282 mil cirurgias de amputação de membros inferiores realizadas pelo SUS entre janeiro de 2012 e maio de 2023. Já a Sociedade Brasileira de Medicina Física e Reabilitação estima que o Brasil tenha atualmente cerca de 500 mil pessoas amputadas, número que evidencia a demanda crescente por espaços de prática esportiva adaptada.
Esporte como ferramenta de inclusão
Para o presidente do Clube Atlético Juventus, Tadeu Deradeli, a criação da equipe está alinhada ao propósito de expandir a atuação social da instituição além das competições tradicionais. “A nossa equipe simboliza o nosso desejo de constantemente ampliar nossa atuação como espaço de cultura, lazer e de atividades sociais”, disse o dirigente, de acordo com a Gazeta Esportiva.
Segundo a publicação, o impacto da parceria ultrapassa o campo esportivo. Em um país onde milhares de pessoas passam por amputações a cada ano, o processo de reabilitação envolve não apenas cuidados médicos, mas também a reconstrução da autonomia, da autoestima e das relações sociais dos pacientes.
A reportagem conclui que integrar uma equipe, disputar competições e representar um clube tradicional favorece o desenvolvimento esportivo dos atletas envolvidos e reforça o sentimento de pertencimento e participação social — pontos centrais da proposta que uniu o Juventus da Mooca e a APAC.



