O Corinthians ainda não fechou nenhuma venda de jogador em 2026, mas o executivo de futebol Marcelo Paz segue confiante de que o clube pode concretizar uma negociação importante até o fim do ano. Em entrevista coletiva reproduzida pela Gazeta Esportiva, o dirigente afirmou que “o ano ainda não acabou” e que uma transferência relevante ainda pode acontecer para ajudar no fluxo de caixa do clube paulista.
Segundo o levantamento da própria reportagem, o orçamento corintiano para a temporada previa cerca de R$ 150 milhões em receitas com vendas de atletas, valor que até agora não teve nenhuma contrapartida concreta nos negócios do clube. A expectativa inicial de Paz, no começo do ano, era ainda mais ambiciosa: ele projetava a maior venda da história do Corinthians em 2026.
O caso André e a decisão da diretoria
O nome mais lembrado nesse contexto é o do volante André, que chegou a ter uma proposta encaminhada do Milan, da Itália, por 17 milhões de euros — cerca de R$ 103 milhões na cotação da época —, negócio que não avançou por decisão do presidente Osmar Stabile. De acordo com Paz, essa venda poderia ter representado uma parte significativa da meta orçamentária do clube para o ano.
Em suas declarações, o executivo disse: “O ano ainda não acabou, podemos ter uma venda até dezembro. O Corinthians tinha uma venda encaminhada do André e houve uma decisão do presidente de não vender. Aquela venda poderia nos ajudar nesse fluxo de caixa, boa parte das receitas com venda já poderia ter sido feita. Faz parte, o futuro vai dizer se foi bom ou não. De repente, o André pode ser vendido futuramente por um valor maior.”
Depois do episódio com o clube italiano, o volante ainda negociou com o Nottingham Forest, da Inglaterra, mas as conversas não evoluíram. Outros jogadores do elenco também despertaram interesse do mercado ao longo da temporada, caso de Yuri Alberto, que recebeu sondagens, e de Breno Bidon, procurado pelo Besiktas, da Turquia, negociação que também não avançou.
Convocações à Seleção podem valorizar jogadores
Marcelo Paz destacou que as recentes convocações de Breno Bidon, Matheuzinho e Hugo Souza para a Seleção Brasileira podem funcionar como uma alavanca para o valor de mercado desses atletas em eventuais negociações futuras. Segundo ele, o desafio da diretoria é conseguir valorizar os ativos do elenco antes de vendê-los, mesmo sob pressão financeira.
“O Corinthians precisa buscar valorizar os seus ativos. Às vezes, você precisa vender um jogador mesmo sabendo que ele vale mais, pressionado pelo fluxo de caixa. Os convocados certamente hoje têm um valor maior do que antes da convocação e o Corinthians pode arrecadar um valor maior”, afirmou o dirigente, conforme a Gazeta Esportiva.
André, aliás, também esteve na pré-lista da última convocação da Seleção Brasileira, embora não tenha sido confirmado na relação final.
Dívidas e pendências financeiras
A necessidade de vender jogadores está diretamente ligada à situação financeira delicada do Corinthians, que convive atualmente com três transfer bans em vigor e dificuldades para manter em dia os compromissos com o elenco. Segundo a reportagem, o clube ainda tem pendências relacionadas a direitos de imagem e premiações, embora os salários — pagos com atraso em meses anteriores — tenham sido quitados na última quarta-feira.
Sobre o tema, Paz declarou: “CLT está em dia e tem outros itens que não estão em dia. Imagem tem uma que não está paga e alguma coisa de premiação. Há uma tentativa diária para somar recursos e ficarmos em dia com os compromissos. Não é o ideal, há o incômodo. Mas garanto que em nenhum momento os jogadores não se comprometeram. Trabalhamos com transparência, dando satisfação, pedindo desculpas. É uma situação incômoda, mas que sabíamos que poderia acontecer.”
O executivo ainda ressaltou que o clube pagou mais de R$ 200 milhões em dívidas ao longo de 2026 e defendeu a postura de transparência da atual gestão diante das dificuldades financeiras. “O clube pagou este ano mais de R$ 200 milhões em dívidas. O que tem sido passado é a transparência. Um clube que passa por dificuldade financeira e está sendo firme. O remédio é amargo. Por vezes, isso acaba impactando no campo. Que isso possa ser resolvido e que o Corinthians passe a ter regularizados seus pagamentos”, finalizou Paz, segundo a Gazeta Esportiva.



