O diretor de Negócios Jurídicos do Corinthians, Pedro Soares, negou que o clube vá entregar documentos sigilosos ao perito Anísio Castelo Branco, responsável por uma análise que apontou possível cobrança indevida da Caixa Econômica Federal na dívida da Neo Química Arena. A informação foi divulgada pela Gazeta Esportiva.
Segundo o veículo, o dirigente afirmou que o clube está disposto a ouvir contribuições sobre o tema, mas que já conta com um grupo interno dedicado exclusivamente ao assunto e mantém negociações avançadas diretamente com a Caixa para buscar uma solução para o débito.
Perito havia prometido novo cálculo
De acordo com a reportagem, Anísio Castelo Branco esteve no Parque São Jorge na última quarta-feira e se reuniu com a diretoria corintiana. Na ocasião, o perito disse à imprensa que receberia documentos do clube para refazer os cálculos e verificar se as divergências identificadas em sua perícia se confirmariam.
Em declaração reproduzida pela Gazeta Esportiva, Anísio afirmou: “O presidente disse que vai pôr em funcionamento a partir de segunda-feira. Vou fazer um ofício para franquear todos os documentos de que eu preciso, extratos, comprovantes, tudo mais. Esses documentos estando comigo, creio que em mais uma ou duas semanas esse novo número vai estar pronto para que o Corinthians possa chamar a Caixa e negociar”.
O perito também questionou a base de cálculo já existente no processo: “Tudo o que eu tenho lá são os números que estão nos autos. E eu não tenho muita confiança de que os números que estão lá estão certos. Tem uns números lá que não batem com os próprios números da Caixa”, disse, segundo a Gazeta Esportiva.
Corinthians desmente e cita sigilo contratual
Em contato posterior com a reportagem, Pedro Soares contradisse as declarações do perito. O dirigente afirmou que o clube não entregou nenhum documento a Anísio, além da ata de comparecimento ao Parque São Jorge, na qual o próprio especialista disponibilizou uma cópia de seu requerimento ao Ministério Público de São Paulo, acompanhado do laudo pericial com cálculos até agosto de 2019.
Pedro Soares afirmou, segundo a Gazeta Esportiva: “Salientamos que todas as informações que possam agregar à discussão da questão são bem-vindas. Outrossim, lembramos que já possuímos um grupo que cuida desse assunto e que estamos em negociações avançadas junto à Caixa Econômica Federal para o encaminhamento do tema”.
A reportagem apurou ainda que o Corinthians não poderia fornecer os documentos assinados com a Caixa relativos ao financiamento da arena mesmo que fosse solicitado pelo Ministério Público, devido a cláusulas de confidencialidade do contrato. Segundo a Gazeta Esportiva, o clube só seria obrigado a compartilhar esse material mediante determinação judicial.
Dívida bilionária e apuração do Ministério Público
De acordo com a Gazeta Esportiva, dirigentes corintianos têm desconfiança em relação aos cálculos apresentados por Anísio Castelo Branco, já que o próprio perito admitiu não ter tido acesso a todos os extratos financeiros. O clube também destaca que os valores da dívida já foram analisados por empresas especializadas em auditoria, como Ernst & Young, Alvarez & Marsal e KPMG.
A reportagem aponta que equacionar a dívida da Neo Química Arena se tornou uma prioridade do presidente Osmar Stabile, com a diretoria mobilizada para tentar reduzir o valor do débito, atualmente estimado em R$ 640 milhões.
O caso é investigado pelo Ministério Público de São Paulo desde que Anísio Castelo Branco protocolou uma representação apontando divergências de aproximadamente R$ 255,75 milhões nos cálculos da dívida do estádio. Segundo a Gazeta Esportiva, a apuração está sob responsabilidade do promotor Cássio Roberto Conserino, que determinou uma perícia técnica para verificar a consistência dos valores cobrados pela Caixa Econômica Federal.



